Recentemente escrevi sobre a política ser como nosso reflexo no espelho, queremos que os políticos reflitam aquilo que somos, que tenham honestidade, que trabalhem com transparência, que apliquem os recursos naquilo que realmente seja importante para a melhoria da qualidade de vida de todos.

Vemos na política muitas correntes ideológicas que defendem aquilo que queremos, esperamos que façam sempre o melhor uso do setor público em benefício da população e de todos nós. Acontece que nem todas as ideologias políticas são realmente benéficas. Muitas tem somente um belo discurso e visam tão somente o poder e o enriquecimento para seus líderes. O marketing político, as estratégias para o alcance do poder, as táticas usadas por grupos em troca de privilégios, o uso do dinheiro do Estado na compra de apoios, a censura sutil de mídias, a produção de conteúdos propagandistas, são alguns métodos utilizados na política, e que nem nos damos conta.

Temos um vasto espectro político, da extrema-direita à extrema-esquerda e do libertário ao ditatorial. Enquanto uns tem mais inteligência em usar o sistema de propaganda para capitalizar os acontecimentos a seu favor, outros veem os acontecimentos e até propõem ações efetivas mas não conseguem implementa-las. A política tem hoje uma maior predominância da esquerda, pois suas retóricas e promessas de um mundo melhor, aliado a capitalização de eventos, mesmo com o uso de métodos dos mais repugnantes para se manter no poder, usando verbas estatais e a manutenção de um Estado gigante para facilitar a corrupção, os tem garantido muitas eleições. A maioria das pessoas de pensamento mais à direita ou libertário, ainda está no jardim da infância do jogo político comparado aos demais.

As consequências das más políticas é que acabam por fazer mais mal daquilo que diziam combater. Exemplos como dos gastos públicos além do que se arrecada, propiciou alta das taxas de juros, volta da inflação e retração econômica, com consequências para o emprego, a renda e a desigualdade social. Os subsídios de juros, protecionismos de mercado, privilégios a grupos de pressão, monopólios, também tem contribuído muito para isso. Em uma coletânea sobre Frédéric Bastiat, ele havia discorrido sobre “O que se vê e o que não se vê”, tanto na política como na economia, ele demonstra com clareza as más consequências por trás de ações que só tem boa aparência. Em uma de suas explicações sobre “A Vidraça Quebrada”, o que se vê é que ao trocar uma vidraça quebrada houve um gasto que gerará uma demanda na cadeia produtiva, mas o que não se vê, é que o dinheiro gasto na troca da vidraça deixou de ser aplicado em outras necessidades mais importantes e isto afetará  outras cadeias produtivas, no fim, não houve geração de nenhuma melhoria, somente voltou-se a ter a vidraça, em resume conclui que “A sociedade perde o valor dos objetos inutilmente destruídos”.

Discursos e narrativas políticas são muitas vezes belas, falam ao coração, feitas por pessoas inteligentes, que visam somente o poder ao abraçarem causas ideológicas na promessa de um mundo melhor, mas que acabam propiciando o contrário daquilo que apregoam. Quebram vidraças na promessa de que estarão gerando riqueza e distribuindo renda, pensando somente no agora não veem as consequências de suas ações e de políticas imediatistas que aparentam beneficiar alguns grupos, mas que acabam prejudicando a todos.

A retórica política é tudo aquilo que como nos diz Bastiat, “o que se vê”, suas consequências serão confrontadas com a realidade daquilo que está em “o que não se vê”.

Publicação original na coluna Visão Política da Gazeta Informativa impressa de 23/06/2016.

link: http://www.gazetainformativa.com.br/

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