O novo governo de Michel Temer vem sendo atingido também por novas delações e gravações de envolvidos pegos na Lava-Jato, esses pretendem colaborar para ter suas penas reduzidas, a exemplo do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, que ficou no cargo de 2003 a 2014 até ter seu nome citado na operação, vindo a fazer gravações com comparsas se preparando para o pior. Não passa jamais na cabeça do acusado fazer isso em benefício da população ou do Brasil, mas o que é melhor para si.

Todos somos motivados a fazer o que nos traga melhor qualidade de vida, uns vão pelo caminho correto, já outros se desvirtuam e pegam atalhos. Provavelmente o que o incentivou a fazer o errado seria, muito, muito dinheiro e poder. O que limita alguém fazer algo de errado ou vem do caráter, moldado pelo que consideramos moral e ético, ou vem do medo, de sofrer as consequências com punição e privação da liberdade. Enquanto muitos estudam, trabalham e servem aos outros para receber em troca algo de valor, existirá aqueles que negligenciam o caráter e o medo e buscam maneiras mais fáceis de melhorar de vida com o mínimo esforço, seja roubando dos outros ou se utilizando do poder que o Estado lhe fornece.

O Estado tem sido usado por pessoas inescrupulosas para seu próprio benefício e os casos de corrupção são típicos do uso do Estado. Já comentei em um artigo sobre as causas da corrupção, que se resume em, quanto maior os tentáculos do Estado e o número de leis tanto maior é a corrupção. Acabar com a corrupção é impossível, mas reduzi-la não só é possível como é vital para todos nós.

Temer assumiu um Brasil quebrado, destruído por anos de sangria do sistema público, emulado por vampiros que tem em mente o desejo de poder e dinheiro. Vemos propostas plausíveis para melhoria da situação econômica do Brasil e consequentemente melhorias sociais com o atual governo, apesar de alguns dos políticos que o compõe serem os mesmos que faziam parte do anterior, temos uma diferença crucial deste comparada com aquele, que está na questão ideológica.

Enquanto este quer menos Estado intervindo na economia, o outro queria um Estado intervindo fortemente, enquanto esse quer as pessoas mais livres e produzindo, o outro queria mais controle, enquanto esse quer reduzir os tentáculos do governo, o outro queria mais poder, enquanto esse defende uma imprensa livre, o outro queria censurar a mídia para esconder a corrupção.

Este governo não está isento, pois muitos dos políticos que agora ascenderam ao poder, cometeram também crimes que são do conhecimento público. Somente com o apoio da população contra a corrupção e a favor das investigações é que haverá mudanças significativas no comportamento político. Questionar os políticos mais próximos se estão comprometidos com o passar a limpo o Brasil ou irão continuar apoiando aqueles que estão roubando e acabando com seu futuro, de seus filhos e netos?

As eleições municipais estão próximas, se somos motivados a trabalhar e buscar melhorar nossa qualidade de vida econômica e social, vislumbrando um futuro melhor para o Brasil com menos corrupção, devemos cobrar aquilo que almejamos dos futuros candidatos, para que a política seja como o nosso reflexo no espelho.

Publicação original na coluna Visão Política da Gazeta Informativa impressa de 02/06/2016.

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