A pré-ex-Presidente Dilma Roussef, em seu discurso no dia seguinte após a votação da admissibilidade do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, iniciou seu pronunciamento dizendo “me sinto injustiçada”, “esse processo não tem base de sustentação”, “a injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa” e “ quando de uma forma absurda se acusa alguém por algo, primeiro que não é crime, segundo quando acusa e ninguém se refere a qual é o problema”. Dilma já ultrapassou os limites humanos de racionalização, de mentir e acreditar que suas estratégias de discurso irão convencer a população. Seus crimes estão fundamentados e descritos nas páginas do relatório da comissão do impeachment, diga-se, alguns deles, pois tem vários outros que não estão sendo julgados. Sua desfaçatez faz parte de um plano maléfico para o país que estava em curso, mas graças a mobilização da população e a pressão sobre os parlamentares, esse plano totalitário de poder foi posto em quarentena.

Os ataques promovidos pelos governistas ao Presidente da Câmara Eduardo Cunha, também era uma estratégia para derrubá-lo antes que esse colocasse um dos processos de impeachment para votação. Eduardo Cunha era um aliado do PT desde que se tornou parlamentar em 2002, mas quando deixou de apoiar o governo em 2014, se tornou um obstáculo a ser derrubado. Talvez por isso vemos tantas notícias e processos andando com celeridade no STF contra Eduardo Cunha, o primeiro parlamentar a ser investigado pela Corte Suprema. O que o governo não contava era com um adversário a sua altura, ou melhor, da sua baixeza, Cunha é conhecedor das regras do jogo e lutou com todas as armas que dispunha, impedindo as tentativas de golpe dado pelos seus novos adversários.

Os governistas são grandes estrategistas, agem sempre coordenadamente, falam sempre as mesmas coisas, estão sempre no ataque. David Horowitz explica que os esquerdistas jogam muito bem a guerra política, em seu livro “A Arte da Guerra Política” um dos 6 princípios que ele elencou e que a esquerda domina muito bem é “Na guerra política, o agressor geralmente prevalece”. Por isso ao invés de fazer sua defesa o governo ataca seus opositores, mas neste caso não funcionou como o esperado. Quem irá julgar se realmente Dilma cometeu crimes é o Senado, lá ela terá como refazer sua defesa e com tempo de sobra. Na Câmara o processo transcorreu normalmente e teve o direito a defesa, a qual foi feita pelo Ministro da AGU, Eduardo Cardozo.

O duplo padrão de pensamento dos governistas fica evidente quando agora o então Presidente do Senado Renan Calheiros, com 9 processos da Lava-Jato para ser investigado no STF, segura o andamento do impeachment no Senado, ele continua sendo fiel escudeiro do governo, foi um dos grandes beneficiados do Petrolão comandado por Lula e Dilma, mas não é sequer citado pelos apoiadores do governo. É tão corrupto quanto é Eduardo Cunha, mas os governistas fazem um coro só contra ele, um silêncio absoluto.

Quando alguém está contra o governo ou deixa de apoiar o seu projeto de poder totalitário, sofre ataques constantes promovido por integrantes deste e por seus apoiadores, no estilo de uma metralhadora apontada para um único alvo. Mas quando alguém está a favor do governo, não importando o que fez, o quanto roubou, se é um terrorista, assassino, psicopata, pedófilo ou bandido, os governistas preferem não comentar e desviam o foco para outro alvo que possa estar atrapalhando os seus interesses. Já viu alguém do governo cometer crimes? Não, nunca existiu.

Publicação original na coluna Visão Política da Gazeta Informativa impressa de 28/04/2016.

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