A democracia é comparável ao cérebro da nação, assim como nosso cérebro tem o lado direito e esquerdo, onde no direito predomina as emoções e no esquerdo a razão, na política a esquerda e a direita tem essas mesmas predominâncias básicas só que inversamente à posição no cérebro. Enquanto a esquerda sonha com um mundo rousseniano, utópico, do bom selvagem, moldando-o para um futuro melhor, como vivesse em um sonho cheio de emoções. A direita presa pelos bons costumes, a moral, a experiência passada, prevenindo-se de cometer os mesmos erros e conservando os acertos, usando a razão. Mas assim como na natureza, as posições políticas sofreram mutações e adaptações com o tempo. O estudioso filósofo Olavo de Carvalho nos explica algumas premissas do pensamento de direita e esquerda:

Direita e esquerda passaram por inúmeras variações e combinações ao longo dos últimos séculos. Mas, onde quer que se perfilem com força suficiente para hostilizar-se mutuamente no palco da política, essa distinção permanece no fundo dos seus discursos: direita é o que se legitima em nome da antiguidade, da experiência consolidada, do conhecimento adquirido, da segurança e da prudência, ainda quando, na prática, esqueça a experiência, despreze o conhecimento e, cometendo toda sorte de imprudências, ponha em risco a segurança geral; esquerda é o que se arroga no presente a autoridade e o prestígio de um belo mundo futuro de justiça, paz e liberdade, mesmo quando, na prática, espalhe a maldade e a injustiça em doses maiores do que tudo o que se acumulou no passado.

No Brasil de hoje o cenário político está polarizado, não que isso nunca fosse assim, mas a direita tem surgido ultimamente, coisa que não ocorria há décadas. A esquerda sempre dominou a política, nunca desistiu da busca de seus objetivos. Como lhes ensinou o revolucionário comunista Antônio Gramsci e depois o esquerdista radical, Saul Alinski, a hegemonia é fundamental para a tomada do poder. De dentro das instituições, como no setor público, associações, igrejas, imprensa, ocupando os espaços para quando se estiver no poder, não haver reações contrárias. A direita, mais preocupada com as dificuldades da vida real, esqueceu o poder do Estado, e agora vê suas liberdades indo embora, assim como de todos os demais. Sob a ótica da liberdade econômica, todos indivíduos devem ir em busca de sua liberdade e isso é o que trará o progresso, a geração de emprego e consequentemente a redução de todos os males da pobreza.

Os objetivos da direita e da esquerda, apesar de serem os mesmos, se diferenciam nos métodos utilizados. A direita quer mais liberdade econômica e menos Estado, com indivíduos mais responsáveis e sempre com o uso da razão para resolver os problemas. Já esquerda quer mais Estado na economia e menos liberdade econômica, com coletivos trabalhando para se atingir um mesmo fim, onde todos serão felizes e viverão com mais emoções. Com a esquerda a vários anos no poder, já sabemos bem as suas consequências dessa busca de um mundo melhor no futuro, ela nos tem levado para o lado oposto do fim pretendido.

No nosso cérebro, a razão e a emoção trabalham juntas, vivemos em alternância entre um e outro, e isso é o que nos mantém saudáveis e nos faz seguir em frente em busca de melhorar nossa qualidade de vida. Na democracia, a esquerda e a direita não trabalham juntas, a predominância de um lado somente tem afetado a vida da nação, podemos dizer que a democracia está enferma. Tanto a democracia como a vida da nação correm sérios riscos quando deixamos ser levados somente pelas emoções e esquecemos da razão.

Publicação original na coluna Visão Política da Gazeta Informativa impressa de 07/04/2016.

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