A guerra política teve uma bela demonstração na semana que passou, começou com o aceite pelo STF de indiciamento de Eduardo Cunha, depois o vazamento da delação de Delcídio do Amaral e fechando a semana com a operação Alethea onde Lula e familiares são investigados.

O domínio de frame na mídia ficou a cargo dos políticos em partirem para o ataque e a desvincular-se das acusações que pesam sobre eles ou sobre seus correligionários, além dos seus apoiadores em atacarem opositores. Ao utilizarem de narrativas que não explicam em nada as acusações, mas ao contrário, descarregando uma metralhadora contra aqueles que os investigam, contra a mídia que somente divulga os fatos e, até mesmo contra seus próprios comparsas que por estarem sendo investigados ou por estarem presos os denunciam. Os acusados invertem os fatos anunciados para ter o domínio de frame, que nada mais é que estar por cima de tudo o que está acontecendo.

Eduardo Cunha já foi aliado do governo enquanto era beneficiado com a corrupção desenfreada, após conseguir formar uma coalizão para se tornar o Presidente da Câmara, começou a barrar os projetos totalitários do governo, como a censura de mídia, coletivos não eleitos, a nova constituinte no estilo bolchevique, entre outros planos do governo. Então esse governo e seus apoiadores, como STF, PGR, OAB, iniciaram uma perseguição para tirá-lo de lá e poderem dar prosseguimento as suas políticas ditatoriais, principalmente a de censurar a mídia. Se não fosse pelo Cunha, talvez hoje não tivéssemos acesso a informação sobre a corrupção, com uma lei de controle da mídia para barrar esse tipo de divulgação. Assim como ocorreu na Venezuela do Chavismo e na Argentina do Kirchnerismo.

A delação de Delcídio de aproximadamente 400 páginas, se aceita pelo STF e pela PGR, que até o momento agem em defesa do governo, terão que iniciar uma investigação sobre o governo Dilma, assim como fizeram contra o Eduardo Cunha. Os defensores do governo trataram desqualificar as denúncias de Delcídio como uma pessoa que não tem credibilidade, mas até antes de ser preso ele era líder do governo no Senado, sendo o principal homem forte do governo e do ex-presidente Lula para assuntos relacionados as negociações para compra do silêncio de delatores. Quando os delatores citam opositores do governo, deve-se investigar, mas quando delatores citam apoiadores do governo, não pode investigar porque eles não têm credibilidade, é uma narrativa enfadonha.

Já o ex-presidente Lula teve uma surpresa na última sexta-feira com a operação Aletheia, onde após ter se esquivado por duas vezes de ir depor, com liminares concedidas pela justiça que foram propositadas por seus correligionários, foi convocado por condução coercitiva, quando tem a obrigação de depor, mas sem ser réu até o momento.

Foram três dias de altas narrativas, ataques a mídia, a adversários políticos, a incitação a militâncias e esbravejando na tentativa de se desvencilhar das denúncias. A população deve estar atenta aos acontecimentos e aos fatos relatados e apoiar as instituições democráticas como Ministério Público, Policia Federal e a Justiça de Curitiba para dar continuidade as investigações e chegar aos líderes e culpados pela institucionalização da corrupção no país. Em apoio as instituições democráticas devemos ir todos as ruas no dia 13/03. Então, o que está esperando, não fique aí parado.

Publicação original na coluna Visão Política da Gazeta Informativa impressa de 10/03/2016.

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