O ser humano é movido por suas necessidades e desejos. Suas ações resultam de decisões tomadas com base em vários fatores disponíveis e em um determinado momento avalia qual a melhor escolha para o seu bem-estar. Desde a mais básica das necessidades humanas até o desejo por algo mais sofisticado que resulte na melhoria da sua qualidade de vida, o agente homem está constantemente agindo. É da sua natureza a luta constante pela sobrevivência, buscando condições de manter sua existência com o menor esforço possível. Aqueles que negligenciam isso sofrem as consequências de não ter o mínimo para sua existência ou mesmo a perda de suas economias. Portanto, o ser humano é um agente especulativo fazendo escolhas constantemente na busca do melhor e mais econômico para si.

Essa introdução é somente para explanar o que observamos quanto às atitudes das pessoas com o anúncio sobre o possível fechamento da SIX, unidade de processamento de xisto da Petrobras. Dentro dessa miscelânea temos pessoas que não se preocupam se o fato é verídico ou se é somente especulação política, pois independente disso suas necessidades futuras já estão atendidas. Temos também as pessoas que podem ser afetadas diretamente, seja pela perda do emprego, de suas economias ou de suas receitas com a queda nos negócios e, que até então eram seu colchão onde repousavam e tinham satisfeitas suas necessidades de sobrevivência.

Até o momento de escrever essa coluna, a Petrobras sempre se posicionou que não existe nenhum fato concreto de fechamento da unidade.  Então temos um ambiente econômico e político instável, onde a dúvida e a certeza estão em constante mutação na mente das pessoas. Em um ambiente de caos, as pessoas sentem insegurança, sofrimento, ansiedade, dúvida, incapacidade e subordinação devido a sua vulnerabilidade, emoções propícias para que políticos obtenham mais poder. Nossas vidas são regidas pela política e são as atitudes políticas impostas que afetam as escolhas que as pessoas fazem para sua sobrevivência.

O governo sendo o maior acionista da Petrobras e responsável pela sua atual situação econômica e financeira, propositalmente colocou-a em uma situação de risco para a obtenção de mais poderes. Sugando seus recursos financeiros através da corrupção, fez o oposto do que um dono faria ou como age qualquer ser humano que investe e poupa suas economias pensando no futuro e na sobrevivência. O atual governo colocou a economia em frangalhos, sangrou as estatais e se transformou em uma cleptocracia. Não está interessado no bem-estar da população, mas tão somente em aumentar o seu poder totalitário. Querer transformar o país e a sociedade em um modelo político retrógrado, bolivariano, não é o caminho para propiciar melhorias na sociedade, mas sim destruir as economias de muitas famílias.

Para atender suas necessidades e seus desejos e, tendo agido em favor deste governo que está saqueando estatais e a economia, nossos políticos em troca de apoio e da verba partidária para suas campanhas, tem de solicitar apoio desses mesmos algozes para que mantenham as operações da SIX. Se fosse um filme, seria um drama ou uma comedia? Mas o fato é que várias pessoas correm o risco da perda de suas economias, dos empregos, das receitas e precisam refazer suas escolhas de sobrevivência e, em contraste vemos as narrativas políticas contraditórias em relação às atitudes daqueles que governam o país, os quais seguem com sua agenda ideológica totalitária, exaurindo o dinheiro público e as estatais.

Publicado originalmente na coluna Visão Política da Gazeta Informativa em 18/02/2016.

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