Crise grafico queda

A crise é invenção da mídia, dos coxinhas, é conspiração contra o governo, é arquitetada pela Cia, pelas elites, é culpa do Sergio Moro, tudo não passa de invenção criada e difundida pela mídia para atacar o governo. Vejam as praias cheias, os hotéis no litoral lotados. Os pobres nem usam dólar, não viajam à Miami.

Essas são algumas das retóricas usadas pelos defensores do governo, como cortina de fumaça em contradição a constatação feita pela maioria da população. Somente os crédulos saem reverberando as narrativas ditas pelos propagandistas do governo. A crise existe e está no bolso da população, principalmente para aqueles que trabalham e recebem salários, bolsa família, ou que estão desempregados. A inflação em dois dígitos anuais, os juros em alta, os preços dos serviços estatais controlados (sic) são os maiores vilões do orçamento das pessoas.

Na época das eleições de 2014 o Governo tentava emplacar que a crise era externa e por isso afetava o Brasil, mas enquanto os países emergentes cresceram ano passado em média a taxas de 4,0%, segundo o FMI, o Brasil decresce abaixo de -3,5%. Será que o crescimento lá fora agora virou sinônimo de crise? Na semana passada a Presidente Dilma disse que “errou” por não saber que a crise teria tal dimensão. Mas a reflexão que se faz é que foi tudo de propósito mesmo.

George Orwell descreveu em sua obra “1984”, em uma Inglaterra fictícia pós revolucionária sob um governo ditatorial, a linguagem mudava de significado conforme a necessidade, sendo criado o dicionário da “Novafala”. A interpretação dos acontecimentos era feito sob o duplipensar, onde poderiam existir duas verdades e assim não havia discordância. O slogan do Governo era: “Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”.

Tudo não passa de falácias para iludir os incautos aqui dentro. Infelizmente nossa frágil democracia sofre ameaças com as tentativas do Governo Federal de “democratizar” a mídia. Mas ainda temos as mídias livres (sem interferência do governo), os economistas austríacos (verdadeiros), jornalistas independentes (de verba estatal), e milhares de internautas que conhecem bem o que ocorre no país e fornecem dados reais em contradição com certas informações fornecidas pelo Governo.

Enquanto o Governo prometeu reduzir as despesas com Ministérios e com cargos comissionados, acabou que não cumpriu o prometido, elevou mais as despesas e quer emplacar mais impostos para sustentá-las. É só contradições. Desse jeito o Brasil real, vai afundando na lama, que se dizia “doce”, mas está com gosto bem amargo.

Estados e municípios tem que lidar com redução da arrecadação, aqueles que não administraram prevendo essa redução, estão sofrendo com o caixa zero. Alguns deram uma dose bem amarga para seus cidadãos, com mais impostos como ipva e icms (paranauê) e assim querem se passar como “exemplos” de administração. Portam-se como na frase “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.”

Um bom exemplo vem do Prefeito de Brusque-SC Roberto Pedro Prudêncio Neto (PSD), que era Presidente da Câmara de Vereadores e passou a substituir o Prefeito Paulo Eccel (PT) e seu vice, cassados pelo TSE por abuso de poder econômico com gastos excessivos em publicidade. Ele tomou posse em março de 2015 e no inicio deste ano editou uma medida espetacular, demitiu todo o staff em cargos de confiança e destituiu os funcionários em cargos comissionados, com o objetivo de economizar até 1,5 milhões de reais mensais aos cofres do município e colocar as contas em dia. Em Setembro de 2015 ele já havia cortado 10% do valor do próprio salário e dos Secretários, além de 100% das gratificações e gastos com celular.

Um mal exemplo é o caos na saúde pública no Rio de Janeiro, fruto da crise e da má gestão. Mas o orçamento do Estado para 2016 prevê o triplo de gastos com propaganda comparando com 2015. Isso sim que é inversão de valores. Uma minoria que não sofre com a crise, está mais preocupada com as Olimpíadas e com a boa aparência dos seus governantes.

O Estado não precisa de propaganda, o único beneficiário das propagandas é o político. Os pagadores de impostos são obrigados a desembolsarem para ouvir mentiras contadas por aqueles que lhes açoitam.

O Presidente do Clube Chapecoense, Sandro Luiz Pallaoro, eleito empresário do ano em Chapecó, proclamou recentemente: “Se não mudarmos a política e os tributos, o Brasil vai quebrar. O brasileiro hoje trabalha só para pagar impostos, sem retorno em serviços públicos. Umas das causas da crise: a maioria dos políticos nunca administrou nada.”

Para aqueles que acreditam na propaganda estatal, o Brasil não passa por uma crise. Cabe a eles refletirem que de fato não acontece realmente uma crise, mas sim várias crises: a crise da moralidade, da ética, da justiça, da decência, do decoro, da existência humana.

Faltou citar as crises política e econômica, mas estas são somente reflexo das crises citadas anteriormente.

Publicado originalmente na Gazeta Informativa em 14/01/2016. http://www.gazetainformativa.com.br/crise-que-crise/

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