Corrupção é um dos problemas que infringem toda a sociedade e é um assunto que está em alta na política, muito se fala nos noticiários, blogs, redes sociais, de casos de corrupção envolvendo o sistema público, políticos, empresários e o próprio povo. Muitas vezes este último é envolvido com os casos de corrupção, que se diz do jeitinho brasileiro e que a política é o reflexo deste comportamento. Quando se joga a culpa no povo, não há uma pessoa específica, estão somente transferindo a culpa à sociedade. Esse tipo de discurso é feito para justificar atos de pessoas inescrupulosas e que tem o poder ou mando em suas mãos da coisa pública. Se não repudiamos isso, as repetições desses discursos vazios acabam sendo aceitos pela sociedade e aqueles que são vítimas dos corruptos acabam se transformando nos culpados.

Uma grande quantidade da população já deve ter cometido alguma falha durante suas vidas, transgredindo leis ou regras sociais, até mesmo sem saber, e acabam sendo culpadas passando a acreditar que o problema da corrupção é devido ao seu comportamento. Deve-se tomar cuidado com a transferência da culpabilidade.
Diferenciar aquilo que se teve vantagem de maneira lícita, ética e que se fez pensando no melhor para si ou para defender-se dos corruptos, sempre pautado nas trocas voluntárias, daquilo que, supostamente você teve uma vantagem ilícita e que causa prejuízo para outrem. Este último sim é um fato e a pessoa sem princípios e valores elevados que o pratica está cometendo o erro que causa danos as outras pessoas.
As leis feitas para regular o controle do setor público, sua fiscalização, nas tentativas de combate a corrupção tem sido em vão a muitos anos. Quanto mais se cria leis mais a corrupção aumenta. Cada permissão, autorização, submissão ao setor público abre caminhos para a extorsão, pois a alta burocracia, o aumento de custos, aumento dos riscos torna-se propício ao pagamento do “pixuleco”, nova denominação para propina.
A filósofa e escritora Ayn Rand, em uma citação sobre corrupção em sua obra “A Revolta de Atlas”, diz assim:
Era como culpar a vítima de um assalto de corromper a integridade do marginal.
E, no entanto, pensou ele, durante tantos anos de extorsão política, não eram os burocratas saqueadores que assumiam a culpa, e sim os industriais acorrentados; não os homens que vendiam favores legais, e sim os homens que eram obrigados a comprá-los. E durante tantos anos de cruzadas contra a corrupção, a solução sempre fora não liberar as vítimas, e sim conceder poderes de extorsão mais amplos aos extorsionários. A única culpa das vítimas, pensou ele, era o fato de aceitarem que eram culpados.

A corrupção assim como outros males que açoitam o povo, não deixará de existir com mais leis e fiscalização, sempre existirão pessoas que querem tirar vantagens sobre as demais. A corrupção está diretamente relacionada a quantidade de leis, ao poder intervencionista do governo e a sua ganância por mais impostos. Tácito na Roma antiga já dizia que:
– “Quanto mais corrupto o Estado, maior o número de leis.”
Charles Kenny, economista americano especialista no assunto, com passagem pelo Banco Mundial em projetos anticorrupção na África e Oriente Médio afirma que, “A burocracia é uma aliada da corrupção. Quanto maior o número de leis e normas, mais haverá formas de interpretá-las, abrindo brechas para os corruptos”.
Uma forma eficiente de combate a corrupção proposto por Kenny é aumentar a transparência dos contratos, ter regras claras e amplamente divulgadas.
Observando o que ocorre hoje, a corrupção permeia todos os órgãos públicos, é preciso eliminar suas causas e não ficar nos discursos de ser honesto, transparente, de ter mais controle. Somente se reduzir a quantidade de leis para evitar brechas à corrupção, reduzir as leis que criminalizam sem que haja vítimas, reduzir os tentáculos do governo com suas agências regulatórias, autarquias, de fiscalização, estatais, e focar somente na organização do livre-mercado se reduz a corrupção. Reduzindo o poder de intervenção do governo na vida da população e na economia, deixando que o dinheiro flua das mãos das pessoas para elas decidirem aonde é melhor aplicá-lo, isso seria um alento para o povo que sofre com tanta corrupção.
Mas para que isso ocorra é preciso pressionar os políticos para discutirem e implantarem as boas idéias que diminuam a corrupção, até lá, ficamos à mercê das narrativas vazias e de medidas judiciais que só tendem a beneficiar os corruptos.

Publicado originalmente na Gazeta Informatica em 07/01/2015. http://www.gazetainformativa.com.br/o-discurso-do-fim-da-corrupcao-sem-fim/

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