Quem fará parte do Jogo Político?

Pretendo expor para vocês alguns insights para compreensão do que ocorre na política, que a meu ver, são fundamentais para sabermos lidar com ela no nosso dia a dia, para distinguirmos o que é narrativa daquilo que é fato. Com um pouco de conhecimento podemos entrar no debate político e melhorarmos nossa percepção sobre a política e até mudarmos nosso comportamento. Sem o mínimo de conhecimento somos apenas peças, como em um jogo, sendo conduzidos por outras pessoas que estão jogando o jogo político. Podemos também entrar neste jogo, sem precisar ser conduzidos, tomando as rédeas do nosso caminho, saindo da inércia de meras peças para protagonistas, e não sermos levados a um determinado fim que nos deixa paralisados e dependentes dos que estão jogando o jogo, determinando suas estratégias e jogando as grandes batalhas políticas.

A cada nova eleição ressurge em nós a esperança de mudarmos a política, as pessoas hoje são mais informadas em relação a ela e acreditam nessa esperança, que com um novo candidato as coisas melhorem, que seja mais honesto, que roube menos, que faça funcionar a máquina pública e que resolva os problemas que interfere na minha vida, na minha família, na sociedade que eu vivo, que concerte as causas dos problemas  na minha rua, no meu bairro, na minha cidade, no meu estado ou país. Mas após algum tempo, essa esperança acaba indo embora, nos decepcionamos muito quando o nosso candidato não cumpre suas promessas e faz a mesma coisa que os outros políticos faziam, e então achamos que a política não tem jeito. Alguns desanimam tanto que preferem nem votar mais, outros votam segundo suas ideologias, enquanto outros preferem votar nos candidatos amigos ou conhecidos, ou então prefere o candidato apoiado pelo amigo, pois estes que estão envolvidos na política devem saber o que é melhor, e assim, quando eu precisar de alguma ajuda do setor público, poderei pedir para meu amigo que está na política e terei chances de conseguir.

Mas quando agimos assim, estamos somente negando a política e seremos conduzidos pelo tabuleiro ficando a mercê de somente alguns jogadores. Damos preferência as nossas escolhas pessoais, para nossa vida, nossa sobrevivência, o trabalho, o lazer, a família, os amigos e deixamos a política para quem é da política.

Quando não gostamos de política, acabamos por aceitar a política como ela é. Se acharmos que não dá para mudar, então é melhor nem se envolver. A tendência é que ela continue assim mesmo, com todos acreditando que nada irá mudar e que os políticos são todos iguais, que aquela velha política do toma lá da cá é a que vai perdurar de fato.

Convido você amigo leitor a seguir esta coluna, e juntos, nos debruçarmos sobre a política para buscar entendê-la e sermos os verdadeiros protagonistas das nossas vidas e do jogo político, e não somente participar do jogo a cada 2 ou 4 anos, como mera peça de um tabuleiro. Saindo da inércia e desafiando aqueles que querem participar deste jogo, ou que já estão na vida política, indo para o debate, a discutir os problemas e os desafios que é conduzir e gerir o setor público, com todas suas amarras e burocracias.

É preciso conhecermos as regras, as estratégias, os objetivos, como jogam e o fim almejado por cada ator político.

Por fim gostaria de deixar uma frase atribuída a Platão, pertinente à política:

– Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.

Um excelente jogo a todos.

Publicado originalmente na Gazeta Informativa em 24/12/20015. http://www.gazetainformativa.com.br/o-protagonismo-politico-e-a-arte-da-guerra-politica/

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